quinta-feira, 8 de abril de 2010

Trecho inicial de "O Ateneu"

“Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a
luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das
ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor
doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos
cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a
criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na
influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita,
dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos
houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos
ultrajam.

Esse livro já me encantou logo em seu trecho inicial.A beleza desse trecho está na perfeita escolha das palavras para dizer algo simples,o que demonstra a genialidade do autor.O comentário que tenho a fazer sobre o trecho acima é que os pais,principalmente os atuais,criam seus filhos numa redoma de vidro,protegendo-os de tudo,até de uma simples queda,o efeito disso é que mais tarde a criança cresce com a ilusão de que a vida é bela,pois nunca viveu e nem te mostraram a verdade sobre a  vida,logo torna-se uma pessoa insegura é que não sabe viver nesse "mundo novo" ao qual adentras,depois é que se aprende a viver de verdade depois lembrando da boa época em que vivia na sua redoma.È mais ou menos isso que autor quer dizer nesse primeiro parágrafo.Se eu encontrar mais algum trecho interessante volto aqui e posto,portanto,até logo !

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